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A seguir, descreveremos algumas das figuras tradicionais pertencentes à história da nossa Freguesia, com a intenção de dar a conhecer um pouco mais sobre a vida das nossas gentes, no período que vai desde o final do século XIX até o início do século XX.
Mondadeira
Normalmente contratada para arrancar as ervas daninhas dos trigais, fazia-se acompanhar sempre do saco de merenda e do seu típico 'sache'.
Se era casada, trazia consigo grandes braçadas de erva no regresso, para alimentar os seus coelhos; se era solteira, caminhava despreocupada em rancho barulhento, onde a piada brejeira tinha lugar obrigatório.
O traje da mondadeira, tal como a generalidade dos trajes de trabalho de senhora, era constituído pelas seguintes peças: lenço de caxemira, saia rodada de riscado, blusa de chita, avental de riscado, roupa interior (saiote, corpete, colotes) de algodão de cor, meias de algodão e botas de atacador ou sapatos.
Lavadeira
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Sem os detergentes e as lixívias de hoje, a lavadeira do Algueirão (que lavava apenas para os ricos da localidade), utilizava a cinza, o sabão, o luar e o sol para branquear a roupa, aproveitando ao máximo as fontes e riachos da terra.
Este traje é constituído, essencialmente, pelas mesmas peças e tecidos dos restantes trajes de trabalho femininos. |
| Traje de Lavadeira no Rio Século XIX |
Ceifeira
Personagem romântica, e imprescindível no ciclo do pão, a ceifeira levantava a saia de flanela ao chegar ao campo, exibindo uma saia de riscado, evitando assim sujar a primeira, sempre com a intenção de, no regresso a casa, ser a cachopa mais bonita na 'roda' dos namoricos; a cabaça presa à cintura assegurava água fresca com que saciava a sede. O seu traje, apesar de também ser de trabalho, apresentava algumas variantes, sendo constituído por: chapéu de palha, lenço de caxemira, duas saias (uma colocada à cintura, de flanela, outra descida, de riscado), blusa de chita, roupa interior (saiote, corpete e colotes) de algodão de cor, meias de algodão e botas.
Vendedeira
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Os trajes das vendedeiras diferiam pouco na sua constituição, assim: Os trajes de vendeiras de queijadas, de leite, de queijos, e de hortaliças, eram constituídos por: lenço de caxemira, saia de fazenda, blusa de chita; |
| Vendedeira de queijadas início do século XX |
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As vendeiras de leite e queijo possuíam avental e peitilho e alças, apresentando as restantes avental à cintura, roupa interior (saiote, corpete e colotes) de algadão e botas. |
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| Vendedeira de morangos século XIX |
Fogaceira
Do fervor religioso dos habitantes do Algueirão, muitos vestígios antigos nos ficaram.
O traje de Fogaceira, mostra-nos a fabricante de fogaças destinadas a serem usadas na ornamentação dos cargos das pessoas que cumpriam promessas a Nossa Senhora das Mercês e da Natividade, nas Festas que existem há mais de duzentos anos, e cuja tradição ainda hoje se mantém.
Noivos
O casamentos foi, e ainda é, um passo importante na vida do saloio.
A noiva, tal como as dos nossos dias, demonstrava enorme empenho na escolha da vestimenta, porém contrariamente ao que acontece hoje, as noivas saloias dos finais do século XIX e princípios do século XX não apresentavam o branco como cor dominante, vestindo-se das mais variadas cores e modelos, dos quais se podem destacar os seguintes componentes: lenço de fazendinha (bordado à mão), fato de duas peças (saia e casaca de fazendinha) todo cosido à mão, tendo a particularidade de possuir pregas, meias brancas de algodão, roupa interior (saiote, corpete e colotes) de algodão branco, sapatos pretos e bolsa a condizer com o fato.
O traje do noivo era composto pelas seguintes peças: chapéu, calça, colete e casaca de fazenda preta, camisa de linho, gravata de cetim (usualmente cinzenta), roupa interior de algodão e botas pretas de botão.
Lavradores Abastados
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Os lavradores da região, principalmente os mais ricos, deslocavam-se à Feira das Mercês tendo em vista a contratação de homens e mulheres para os trabalhos de campo.
Daí que a ostentação da sua riqueza, através do seu traje, fosse imprescindível para um bom contrato.
Assim, o traje de lavradora abastada era constituído pelas seguintes peças: lenço, xaile, casaquinha e saia de brocado preto, roupa interior (saiote, corpete e colotes) de algodão branco e sapatos.
Por sua vez, o lavrador abastado envergava um chapéu de aba larga, calça de fazenda, colete e jaqueta de estracã, camisa de linho, roupa interior de algodão, cinta de algodão, botas pretas abotinadas de botão e bengala. |
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Ela - Traje preto de ir à missa; Ele - Traje de pessoa abastada do século XIX; |
Capataz
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Homem de confiança do lavrador, dirigia o trabalho do campo e tomava conta do pessoal contratado, para o trabalho das lavouras, onde permanecia várias horas encostado ao pau ou à sachola.
Tal como a generalidade dos trajes de trabalho masculinos, este traje era composto por barrete, calça e colete de cotim, camisa de riscado, roupa interior de algodão, cinta preta, botas de cabedal com atacador, alguns possuíam jaqueta de cotim ou jaleca de riscado. |
| Capataz ou Moural século XIX |
Aguadeiro
No início das campanhas agrícolas, os lavradores contratavam sempre um rapaz e uma rapariga com a função de aguadeiro. Esta personagem dava água aos homens e mulheres que amanhavam a terra, função que também desempenhava nas feiras e romarias.
O traje de aguadeiro era composto pelas mesmas peças e tecidos dos restantes trajes de trabalho masculinos ou femininos (conforme o caso).
Carroceiro
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Conduzir uma galera ou simplesmente uma carroça exigia uma especialização. O carroceiro foi elemento precioso na vida saloia e não só. Grande conhecedor da região, das estradas e dos seus animais, o carroceiro ficou como figura imortal no folclore saloio.
As peças constituintes deste traje são comuns à generalidade dos trajes de trabalho já apresentados. |
| Carroceiro ou cocheiro século XIX |
Boleiro
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Especializado na condução de juntas de bois, quer no trabalho quer nas feiras.
Utilizava, para cada uma das funções, peças diferentes: a agulhada (para o trabalho no campo) e o agulhão (para levar o gado às feiras). Estas diferenças também se verificavam no trajar, uma vez que o boleiro utilizava chapéu largo e jaqueta nas feiras enquanto que no trabalho de campo envergava o típico barrete saloio (tal como o carroceiro). |
| Batedor de gado |
Cavador
Desempenhado o trabalho braçal pesado, o cavador era a alternativa à lavoura com gado. A enxada assumia-se como peça fundamental para a sua actividade, pelo que era uma companhia constante. Para proteger as pernas da humidade da terra para dentro das botas, o que constituía um artefacto extremamente funcional e barato.
Semeador
Acompanhando o amanho da terra, o semeador (de saco à 'bandoleira') benzia-se ao iniciar o trabalho. Lançava a semente sobre a terra a passo cadenciado, com um gesto largo do seu braço, ritmado muitas vezes pelo 'Pai-nosso' ou 'Avé Maria'. O traje desta personagem era constituído essencialmente pelas mesmas peças e tecidos dos restantes trajes de trabalho.
(OLIVEIRA Rui, site das 'Mondadeiras do Algueirão'; FOTOS calendários de 1993 do Rancho Folclórico das 'Vendedeiras Saloias de Sintra', Arquivo da Junta de Freguesia de Algueirão - Mem Martins) |